quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Para mudar de assunto...ou não

Na época passada, o FC Porto apostou forte na sua equipa de Atletismo feminino, tendo contratado oito atletas dos países bálticos, entre as quais se destacava a letã Ineta Radevica (sagrou-se recentemente campeã europeia do salto em comprimento em Barcelona, batendo Naide Gomes).

Em consequência desta aposta na modalidade, os Nacionais de clubes (pista coberta e ar livre) foram muito mais disputados e, em Junho último, a equipa feminina azul-e-branca sagrou-se campeã nacional, terminando com uma série de 13 títulos consecutivos do Sporting.

O poder instalado na capital, que estava habituado a ganhar sem concorrência e com uma perna às costas, não se conformou com esta derrota. Contudo, em vez de responderem dentro das pistas à melhoria da equipa do FC Porto e ao aumento de competitividade na modalidade, foram pelo caminho que já começa a ser habitual quando os clubes da capital são derrotados: a Secretaria.

O regulamento, que sempre foi excelente enquanto os clubes da capital disputavam entre si os títulos nacionais, passou a ser péssimo e vai daí há que mudar o regulamento! Como? Cortando o “mal” pela raíz, isto é, passando a proibir os clubes portugueses de contratar atletas estrangeiros (incluindo europeus) que nos 12 meses anteriores tenham competido pela sua selecção nacional, ou tenham participado nos campeonatos nacionais dos seus países. Para se ter uma ideia do ridículo da coisa, esta norma agora introduzida é ainda mais exigente do que a regulamentação europeia, que prevê a utilização de dois atletas estrangeiros na Taça dos Campeões Europeus.

Aplicado ao futebol, este regulamento obtuso da Federação Lisboeta... perdão, Portuguesa de Atletismo impediria a contratação de jogadores como Fucile, Álvaro Pereira, Falcao, Hulk, Maxi, Luisão, David Luiz ou Cardozo, pelo simples facto de terem jogado pelas suas selecções nos últimos 12 meses. Ou seja, os clubes podem contratar os atletas estrangeiros que quiserem, mas desde que sejam fraquinhos...

Esta alteração do regulamento, tendo por alvo a abater o FC Porto, para além de ser potencialmente ilegal (não sou jurista, mas penso que em Portugal não é possível impedir a contratação de cidadãos da UE) mostra a verdadeira estirpe desta gente e do que são capazes para manter o domínio e privilégios de que gozam há longos anos.

in Reflexão Portista

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